terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mensagem da Setorial Estadual LGBT aos Petistas



Somos construtoras e construtores do PT, atentos às transformações em curso e comprometidos com a continuidade das alterações substanciais da sociedade gaúcha e brasileira.

Atuamos no combate à homofobia e a toda forma de violência e violação de direitos decorrente da livre expressão sexual.

Somos militantes, dirigentes partidários e do movimento social, estudantes, acadêmicos, gestores, enfim, mulheres e homens - gays e lésbicas, jovens e adultos, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, negros e brancos, internacionalistas, radicais, socialistas - convictos da necessidade de valorizar nossas múltiplas identidades e trajetórias.

O momento é, portanto, de (re) organização, debate, (re) definição e (re) orientação. Hora de repensar rotinas políticas, refletir sobre todas as conquistas e avanços na promoção da cidadania LGBT. É momento de ousar. Um novo impulso se impõe, um esforço coletivo para revigorar a capacidade de formulação programática do LGBT?s no PT, a incidência concreta nas ações do Governo Tarso, na definição dos rumos da esquerda e o diálogo e relacionamento com os movimentos sociais, com a luta socialista.

Fazemos um chamado a todas as mulheres e homens que se reivindicam LGBT?s, petistas e socialistas. A nossa organização precisa ser movida pelo sentido último de contribuir no processo de reflexão estratégica do PT.

Assim, imbuídos pelo sentimento de re-construção, formalizamos a SORG do PT/RS que realizaremos neste ano, de acordo com o calendário nacional, o Encontro Estadual de Lésbicas, Gays, Bissexuais, transexuais e trangêneros do PT.

Estamos nos desafiando a ser um espaço dinâmico dentro do PT, vocacionado a impulsionar um movimento por mudanças, capaz de atrair militantes combativos, jovens ativistas, feministas, lutadores negras e negros, lutadores do campo, engajadas lésbicas, gays e trans, sindicalistas inquietos, intelectuais, petistas rebeldes.

Os companheiros estão convidados a realizar a sua opção Setorial até 09/09, isso garantirá o direito a voto no Encontro Estadual de Outubro.

À luta companheiros !

informes em: lgbt.ptrs@bol.com.br

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Há lugar para a Juventude na Reforma Política?

Carla Bezerra e Gabriel Medina*



A Reforma Política está novamente na agenda do dia, e dentro de um cenário mais favorável para a aprovação de medidas progressistas. Para nós, movimentos sociais e partidos políticos do campo democrático e popular, a defesa dessa reforma tem como sentido ampliar a participação e a democracia. Alterar o sistema político deve representar também acelerar as mudanças que hoje ocorrem no Brasil. Mais acesso à direitos básicos deve andar casado com mais poder e participação do povo.




Por isso, ela deve ter como diretrizes: ampliar a participação popular por meio de mecanismos diretos e participativos, fortalecer os aspectos ideológicos e programáticos dos partidos políticos, garantir maior presença de setores hoje sub-representados, como mulheres, negros/as e jovens, combater a prevalência do poder econômico, do excessivo personalismo, e do uso legendas de aluguel, hoje tão disseminadas no atual formato de nosso sistema político.




Caminhos e Possibilidades



Os caminhos para que essas mudanças ocorram são vários. No presente, o que tem se desenhado no Congresso é uma alteração mais pontual na nossa legislação eleitoral. O que está em processo de votação agora são as regras voltadas para a eleição de mandatos proporcionais (câmaras e assembléias).




Os efeitos dessas possíveis mudanças, mesmo que não tão amplas quanto defendemos nos movimentos sociais, são de importância fundamental e não devem ser menosprezados. Trata-se de momento inédito de coesão interna no PT, bem como de uma capacidade de articulação e diálogo com diferentes partidos políticos. Dentre as mudanças que há maior consenso, estão o financiamento exclusivamente público de campanha, a fidelidade partidária e o voto em lista preordenada – além do rechaço completo de propostas como “distritão“.




Esses três elementos combinados são fundamentais para os objetivos que mencionamos no início do texto: combater a prevalência do poder econômico, o oportunismo eleitoral e a sub-representação de setores como mulheres, negros e juventude.

Não é possível falarmos em democracia representativa, quando mais da metade da população não está devidamente representada nos espaços do Congresso Nacional. Nesse sentido, para democratizarmos a democracia, a defesa da lista preordenada só faz sentido se combinada ao critério de paridade de gênero. A isso, deve-se acrescer também outros recortes específicos, como de recorte étnico-racial, e a garantia de representação da juventude.




A Juventude na Reforma Política


No Brasil temos uma sub-representação da juventude nos partidos e instituições políticas, um fenômeno que não é restrito a partido A ou B e sim um problema generalizado. Nesse sentido, são necessárias ações políticas complementares para garantir a ampliação da participação dos jovens nesses espaços políticos e a renovação dos quadros políticos, tanto no campo das idéias como no da idade.




As propostas que defendemos para a Reforma Política contribuirão para que setores organizados, possam se expressar nas listas partidárias e sair da invisibilidade. Vale lembrar que hoje vivemos um dos maiores números de jovens na história do Brasil, com uma população de 50 milhões, representando 26% da população brasileira. Os jovens representam 40% do eleitorado, entretanto, representam 3% do Congresso Nacional.

É fundamental que haja um investimento específico dos partidos na sua juventude e na formação de novas lideranças. Assim, defendemos que seja obrigatória a destinação de 5% do fundo partidário para investimentos na organização da respectiva juventude, com o objetivo de formação de novos quadros militantes e lideranças.




Ainda, defendemos que haja um limite de no máximo duas reeleições no mesmo cargo para o exercício parlamentar. Esse tipo de limitação obriga a permanente renovação dos partidos e contribui para o combate à lógica de profissionalização dos cargos políticos, permitindo que novas lideranças possam surgir e se alternar nos espaços de poder.




Por fim, é preciso rever a questão dos limites de idade mínima para concorrer a eleições. Hoje já temos as maioridades civil e penal igualadas em 18 anos, e o direito ao voto inicia-se aos 16. Por que então limitar para 21 ou 35 anos, conforme o cargo, o direito a concorrer às eleições? Propomos que a idade mínima esteja igualada em 18 anos em todos os casos.




Ir para as ruas!



Sabemos que não basta realizar a disputa nos corredores do Congresso, onde os deputados tendem a votar na continuidade das regras que garantiram a sua eleição. É fundamental que os movimentos sociais e partidos políticos do campo democrático e popular estejam organizados em um amplo processo de disputa de valores na sociedade.




A juventude pode cumprir um papel fundamental nessa disputa. Este ano, teremos grandes atividades de organizações juvenis, como o Congresso da UNE, a Plenária nacional da Juventude da CUT, o II Festival das Juventudes em Fortaleza, dentre outros. Ainda, teremos um amplo processo de debate desde os municípios, com a II Conferência Nacional de Juventude. É necessário que em todos esses espaços, haja debates e resoluções e que se organizem campanhas públicas sobre o tema. Só assim, poderemos garantir uma disputa pela esquerda das mudanças no sistema político brasileiro.




*Gabriel Medina é presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e Carla Bezerra é membro da Executiva Nacional da Juventude do PT.

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